IA & Impacto
Quarta edição da trilha IA & Impacto da News do Chico, para quem toca organização social. Nesta semana o BNDES põe R$ 35 milhões em cima de organização de favela e periferia, com dois editais de portas diferentes conforme a região; o Fundo Brasil abre R$ 2,58 milhões para Amazônia e Cerrado aceitando coletivo sem CNPJ; e a Vital Strategies com o Google.org paga de R$ 300 mil a R$ 800 mil para quem já usa dados e IA em saúde mental infantojuvenil. Fora dos editais: uma IA gratuita treinada só com base curada por OSCs brasileiras, e uma instrução normativa da Receita publicada há cinco dias que aposenta o formulário que a sua organização usa há 30 anos para não sofrer retenção na fonte.
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BNDES abre o Periferias Fortes com R$ 35 milhões para organizações de favela e periferia: até R$ 300 mil por organização, com prazo em 12 de agosto no Nordeste e 17 de setembro no Norte e no Maranhão ↗
BNDES Fundo Socioambiental / Institutos Ekloos e Phi · julho de 2026
São dois editais do mesmo programa, e a primeira coisa a fazer é acertar a porta. Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe entram pelo Instituto Ekloos, com inscrição até 12 de agosto às 18h; os nove estados do Norte mais o Maranhão entram pelo Instituto Phi, em periferiasfortes.phi.org.br, com prazo até 17 de setembro. Errar o edital custa a inscrição. O desenho favorece quem costuma ficar de fora: organização de pequeno porte pode ser não formalizada, bastando quatro anos de atuação comprovada e arrecadação média de R$ 20 mil por ano, e recebe até R$ 100 mil; a de médio porte precisa de CNPJ, sete anos e arrecadação entre R$ 80 mil e R$ 300 mil anuais, e chega a R$ 300 mil. Coletivo sem CNPJ se inscreve e se formaliza durante o programa, com o custo da formalização deduzido da verba. A ressalva é grande e vem antes do dinheiro: são seis meses de capacitação e mentoria obrigatórias, com 24 horas de dedicação por mês e presença em 100% dos encontros como condição para receber, seguidos de dois anos de monitoramento, e o recurso financia um plano de desenvolvimento institucional aprovado, não o projeto que a organização já queria tocar. É fortalecimento de gestão pago em parcelas de tempo. Para equipe de três pessoas, essa conta precisa ser feita com honestidade antes de clicar em inscrever.
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Fundo Brasil abre o edital Raízes com R$ 2,58 milhões para pelo menos 43 iniciativas na Amazônia e no Cerrado, até R$ 60 mil cada, e aceita coletivo sem CNPJ com prazo em 21 de agosto ↗
Fundo Brasil de Direitos Humanos / Instituto Itaúsa · 15 de julho de 2026
O edital tem dois eixos. O da Amazônia apoia 35 propostas de até R$ 60 mil em defesa territorial, governança comunitária, monitoramento de território e incidência; o do Cerrado, feito com o Instituto Itaúsa, apoia pelo menos 8 propostas do mesmo valor em sociobioeconomia, cadeias produtivas comunitárias e alternativas econômicas, com destinação a iniciativas lideradas por povos indígenas e comunidades tradicionais. O Cerrado elegível segue a delimitação do IBGE e alcança Goiás, Tocantins, os dois Mato Grosso, Minas, Bahia, Maranhão, Piauí, São Paulo, Paraná e o Distrito Federal. A barreira de entrada é a mais baixa que apareceu nesta edição: grupo ou coletivo sem CNPJ se inscreve marcando 'não se aplica' e só precisa indicar uma parceira fiscal na hora da contratação, não há exigência de contrapartida financeira, e os únicos documentos pedidos são o formulário e a planilha de orçamento. Duas ressalvas práticas. R$ 60 mil por doze meses não sustenta equipe, sustenta uma ação territorial delimitada, e planejar como se fosse custeio é receita de frustração. E o formulário precisa ser preenchido de uma sentada, porque o sistema não salva rascunho, o que é risco concreto para quem se inscreve de território com internet instável. Baixe o rascunho editável e o modelo de orçamento antes de abrir o sistema. O prazo é 21 de agosto às 18h, e o edital avisa que não haverá prorrogação.
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Vital Strategies e Google.org abrem R$ 3,5 milhões para dados e IA em saúde mental de crianças e adolescentes, com propostas de R$ 300 mil a R$ 800 mil e prazo curto, 3 de agosto ↗
Vital Strategies Brasil / Google.org · 30 de junho de 2026
De 4 a 10 organizações serão selecionadas em duas faixas, de R$ 300 mil a R$ 500 mil e de R$ 600 mil a R$ 800 mil, para usar dados e inteligência artificial na prevenção, na identificação precoce de risco e na resposta em saúde mental infantojuvenil. Não é preciso ser do setor saúde: o edital diz explicitamente que aceita propostas vindas de educação, assistência social, segurança pública, pesquisa aplicada e tecnologia cívica, e está aberto também a centros de pesquisa e universidades. Além do dinheiro vêm doze meses de desenvolvimento de capacidades voltados a escalar a solução dentro do SUS e uma comunidade de prática com especialistas em saúde mental e em uso ético de IA. É um dos poucos editais abertos hoje com ticket acima de meio milhão para OSC brasileira, e aqui vai a ressalva que evita inscrição perdida: valores nessa faixa pressupõem solução que já existe, com base de dados própria, capacidade técnica instalada e potencial de escala no sistema público, mais aderência a uma política de uso ético de IA que é documento à parte na página. Organização que está começando a pensar em IA não compete aqui, e o prazo, 3 de agosto, deixa duas semanas. Se for o seu caso, o próximo passo é ler o FAQ e a política de IA antes do edital.
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Cora, a IA gratuita da Plataforma Conjunta, responde por site ou WhatsApp sobre gestão e captação usando apenas uma base curada por organizações brasileiras ↗
Plataforma Conjunta / Observatório do Terceiro Setor · junho de 2026
A Cora é uma assistente de IA de acesso gratuito dentro do ecossistema da Plataforma Conjunta, feita para ajudar a organização a encontrar conteúdo, formação, material de referência e oportunidade de captação. O caminho é curto: cadastro em conjunta.org, ícone no canto inferior direito da tela, e a escolha entre conversar pelo site ou pelo WhatsApp. O detalhe técnico que importa é o que ela não faz. Em vez de responder com a internet inteira, a Cora foi treinada a partir da base da própria Conjunta, com curadoria humana dos materiais, o que reduz a chance de inventar edital que não existe, problema nada teórico para quem já pediu a um chatbot genérico uma lista de chamadas abertas e recebeu links mortos com valores plausíveis. O limite é o mesmo desenho: ela só sabe o que está na base, não substitui contador nem advogado, e não vai olhar o seu estatuto nem a sua planilha. E é gratuita com cadastro, não com link aberto. Para a organização pequena sem área de captação, o gargalo raramente é a falta de edital, é não saber que ele existe e não ter tempo de garimpar. Uma busca curada no WhatsApp resolve exatamente esse pedaço, e só ele.
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Receita publica a IN 2.335 e aposenta o formulário de 1996: a declaração que evita retenção de IRPJ, CSLL, Cofins e PIS/Pasep tem modelo novo, já em vigor ↗
Receita Federal, Instrução Normativa RFB nº 2.335 · 15 de julho de 2026
A norma é de 15 de julho e entrou em vigor na data da publicação, sem prazo de adaptação. Ela aprova novos modelos de duas declarações que a entidade sem fins lucrativos usa o tempo todo sem pensar muito: a que comprova o recebimento de doações e a que comprova o direito à dispensa de retenção na fonte de IRPJ, CSLL, Cofins e Contribuição para o PIS/Pasep. Junto, revoga a Instrução Normativa SRF nº 87, de dezembro de 1996, ou seja, o formulário que circula há trinta anos deixou de valer. A Receita afirma que não mexeu nos requisitos legais da dispensa, e essa é a boa e a má notícia: o trabalho é só de forma, mas se a entidade não cumpre os requisitos, modelo novo não conserta nada. O risco prático é silencioso. Quem tem contrato com empresa, prefeitura ou financiador provavelmente já entregou a declaração no modelo revogado, e a conta aparece quando a fonte pagadora retém no próximo repasse por considerar a comprovação inválida. Vale sentar com a contabilidade esta semana, reemitir no modelo novo e recircular para toda a carteira de fontes pagadoras antes do próximo pagamento. A Receita, no mesmo movimento, sinalizou que segue cruzando dados para monitorar imunidades e isenções.